Mostrar mensagens com a etiqueta rei. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta rei. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

"A Ilha"

"De facto, depois das tentativas que já fizera, só via uma solução: mandar os dois vizinhos a mudarem-se para lados opostos da aldeia. Caso não se mudassem, o rei recusar-se-ia a perder mais tempo com os dois teimosos.


Embora não estivesse contente com a sua decisão, era a única que lhe restava e sentia-se aliviado por encerrar aquele caso. E depois, precisava de concentrar todas as suas forças naquele estranho que aparecera na Ilha. Tinha que perceber qual o seu objectivo, se viera sozinho, se atrás dele viriam outros invasores. Caso o estranho tivesse vindo sozinho, a situação seria mais fácil. Só tinha que decidir se se devia dar a conhecer ou não. Se se tratasse de um homem de confiança, poderia até integrar-se na aldeia, no seu povo, ser um dos seus.

No entanto, havia a possibilidade de ele ser somente o primeiro de muitos outros, de estar apenas a abrir caminho para os novos invasores. O jovem rei não sabia como lidar com a perspectiva de uma nova invasão." in "A Ilha" disponível no Google Books

terça-feira, 30 de novembro de 2010

"A Ilha"

"Os víveres que trouxera amontoavam-se no chão, misturados com as sementes e os rebentos que planeava plantar nos dias seguintes.
Depois de comer, sobrou-lhe pouca ou nenhuma coragem para continuar a por as coisas em ordem. De qualquer maneira, também não precisava de fazer tudo na primeira noite.
Procurou nos sacos uma coberta. Sabia que trouxera duas, bem como uma imensa pele que lhe custara os olhos da cara mas, por mais que procurasse, não as conseguia encontrar. Ou, se calhar, o cansaço ajudado pela falta de paciência não lhe deixavam discernimento suficiente para procurar bem.
Mas a pele lá acabou por aparecer.
Estendeu-a à frente da lareira e deitou-se, adormecendo pouco depois.
Algumas horas mais tarde, o fogo extinguiu-se."
"Embora estivesse certo que não convencera os Anciãos acerca das boas intenções de Morten, o jovem rei acabou por desistir. Afinal, o mais importante estava feito, dizer-lhes que ele tinha que ser protegido como se um olec se tratasse e eles pareciam ter aceitado isso. No dia seguinte, quando falasse com os aldeãos sobre a possibilidade de terem de enfrentar uma guerra, como ficara decidido na reunião com o Conselho dos Anciãos, teria também a oportunidade de lhes contar sobre a presença de Morten e de lhes pedir que o ajudassem no que fosse necessário."

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

"A Ilha"

"Segundo os éditos, esta era quinta vez que o caso era levado ao rei, que se via assim compelido a tomar uma decisão drástica.


De facto, depois das tentativas que já fizera, só via uma solução: mandar os dois vizinhos a mudarem-se para lados opostos da aldeia. Caso não se mudassem, o rei recusar-se-ia a perder mais tempo com os dois teimosos.

Embora não estivesse contente com a sua decisão, era a única que lhe restava e sentia-se aliviado por encerrar aquele caso. E depois, precisava de concentrar todas as suas forças naquele estranho que aparecera na Ilha. Tinha que perceber qual o seu objectivo, se viera sozinho, se atrás dele viriam outros invasores. Caso o estranho tivesse vindo sozinho, a situação seria mais fácil. Só tinha que decidir se se devia dar a conhecer ou não. Se se tratasse de um homem de confiança, poderia até integrar-se na aldeia, no seu povo, ser um dos seus."

terça-feira, 31 de agosto de 2010

"A Ilha"

"A Ilha"

"Tinham razão. Eram muito diferentes e talvez não fosse possível. Começava a pensar que tudo aquilo nada mais fora do que uma loucura e que talvez o preço a pagar por a levar avante fosse tão elevado que não valesse a pena.



Pediu à Assembleia que lhe desse uma semana, um prazo que consideraram razoável, e continuou com a discussão dos problemas do dia-a-dia.

Como sempre, não eram muitos e ficaram rapidamente despachados, o que se revelou um alívio para Freyja. Ao contrário do que esperava, o seu coração estava agora ainda mais apertado. Precisava de descansar. E de encontrar um ombro amigo."


"O jovem rei percorreu todo o castelo, mas sem qualquer sucesso. Nem um sinal dos dois.



De volta à Praça de Armas, chamou o seu servo e os dois voltaram ao castelo. O jovem rei estava convencido que Morten e Fiydin tinham saído por um motivo.


Já no bosque encontraram Fiydin, caminhando de cabeça baixa em direcção ao castelo.

- O que sucedeu? – perguntou o jovem rei. O anão abriu os olhos o mais que pode, como se repetisse a pergunta.


- Ele partiu. Tentei impedi-lo, disse-lhe que era uma loucura meter-se no bosque à noite, mas ele não pareceu muito preocupado e seguiu caminho."

terça-feira, 6 de julho de 2010

Mais um bocadinho...

"Uma manhã, aconteceu. Abriu os olhos e lá estava ela, sorridente, agachada junto a ele. Estava vestida de azul, um azul tão claro que mais parecia água transparente, o mesmo azul que cobria as pequenas asas. Morten interrogou-se se todos os vestidos dela teriam asas. Queria perguntar-lhe mas receava que muitas questões fossem demasiadas e acabassem por a afastar, tal como temia que, se não fizesse perguntas, se permanecesse calado, ela se fosse embora.
Morten sentou-se, ainda meio ensonado, sem perceber muito bem se estava acordado ou a dormir e, mais uma vez, a sonhar com Freyja."


"Não estava zangada, dificilmente poderia ficar zangada com Morten. Percebera desde o primeiro momento que aquela tristeza era tão genuína e tão profunda que não poderia servir de camuflagem a alguém com intenções menos valorosas. E aquele ar de deliciado, aquele olhar de criança encantada, quando contemplara o mundo dela.
Conseguira arrancar-lhe o primeiro esgar daquele que seria, provavelmente, o seu primeiro sorriso."

"Em lugar de ir para a aldeia, regressou para o castelo.
Era a primeira vez desde que era rei que não passeava pela aldeia ao início da tarde. O seu povo iria estranhar mas, naquele momento, precisava ficar só e tentar perceber como iria explicar a todos que já escolhera a sua esposa e a mãe dos seus filhos.
Apressou o passo e rapidamente chegou ao castelo, onde se recolheu nos seus aposentos, perante o espanto dos trabalhadores.
A palavra que o rei chegara demasiado cedo ao castelo e que estava encerrado nos seus aposentos correu veloz pelo castelo, chegando aos ouvidos do anão.
Embora soubesse que seria insultado e maltratado, o anão percebeu que a situação era demasiado grave para se preocupar consigo próprio e correu para os aposentos do rei, entrando mesmo sem se anunciar."

quinta-feira, 11 de março de 2010

Mais uns bocadinhos de "A Ilha"

"O jovem rei tinha uma enorme curiosidade em conhecer o estranho. Se ele e os do seu mundo não pretendiam invadir a Ilha, então o que o fizera mudar-se para ali? Porque estava ali sozinho? E, principalmente, porque é que Freyja parecia estimá-lo tanto?
- Continua preocupado com esse estranho, meu rei? – perguntou o anão. O rei suspirou profundamente. Não se podia dizer que estivesse preocupado.
- Estou mais intrigado que preocupado.
- Acha que vale a pena contar ao povo que esse homem está na Ilha?
- Por agora, não. Chega de problemas. E depois, se ele não fez nada até agora, talvez seja melhor deixar as coisas como estão. – o jovem rei desistiu de observar Morten. Afinal, ia acabar por ficar horas a vê-lo tratar das suas culturas, limpar em redor da casa, dormir uma sesta, regar as culturas, vigiar o peixe enquanto este secava e, enfim, entrar em casa e só regressar no dia seguinte, para a mesma a rotina."

"A Assembleia esperava por Freyja.
A rainha nunca se atrasava mas desta vez estava a demorar e todos sabiam porquê. Pela primeira vez, estava nervosa e não o escondia de ninguém. Tinham que entender que ela era igual a todos os seus súbditos e que, uma vez entregue no seu destino nas suas mãos, sentia-se insegura e assustada. Afinal, sentira-se forte o suficiente para submeter o seu amor à aprovação do seu povo, revira todas as consequências e prepara-se para enfrentar qualquer decisão."