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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

"Dívida de Honra"

"Renato ficou a contemplar a mesa durante algum tempo, como se procurasse inspiração para se sentir tão entusiasmado como no dia anterior. Mas apesar de se sentir melhor desde que chegara a casa, não conseguia estar tão confiante no interesse de Catarina. Aliás, sentia mesmo pouca confiança em si próprio, nas suas capacidades para manter o interesse de Catarina. Afinal, ele era muito mais velho do que ela.


Talvez Catarina estivesse apenas entusiasmada com a possibilidade de ter algo com um homem mais maduro e decidisse largar tudo quando estivesse satisfeita com a experiência. Ou farta.

- Tenho que afastar estas idiotices da minha cabeça… – disse alto, como se isso fosse capaz de mandar para longe aqueles pensamentos.

Através das frestas das portadas entreabertas, o Sol penetrava na casa de Renato."
 
 
"O primeiro disco em que pegou era de Strauss. Era romântico, mas Catarina poderia não gostar. Lizst também era romântico, mas talvez melancólico demais. Chopin, era isso mesmo, ela gostaria de Chopin, certamente. Mas, para ser honesto, sentia-se sempre um pouco deprimido quando ouvia Chopin.

Voltou a Strauss, depois de pegar em quase uma dezena de discos. Não havia amor como o primeiro e com Strauss até poderiam dançar.

Renato não se lembrava da última vez que dançara. Certamente que fora com a sua mulher, mas não conseguia recordar-se exactamente do momento, o que o fez perceber como as memórias daquela vida que deixara na cidade se estavam a esbater."


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"O pior guarda-redes do mundo"



"Dívida de Honra"


"Renato sempre adorara os momentos em que fingia ser o pior guarda-redes do mundo e deixava entrar os golos dos seus pequenos homenzinhos. Depois, eles atiravam-no ao chão e lançavam-se sobre ele, atacando-o com cócegas e obrigando-o a rebolar. Seria capaz de ficar assim para o resto da vida.
E sempre achara que a alegria aqueles momentos nunca se iria embora, que se prolongaria e passaria para os seus netos.
Que um dia seriam os filhos dos seus homenzinhos a atirarem-no ao chão e a atacá-lo com cócegas. Fora, de facto, o grande sonho da sua vida. E agora, ao olhar para aquela rua vazia que o Sol iluminava tão raramente, percebia, do modo mais violento, que o seu sonho nunca se concretizaria."

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Personagens principais


A Ilha

A Ilha é, mais do que um cenário, a personagem principal do livro.

Ao contrário do que muitos idealizam, esta ilha não tem palmeiras à beira-mar nem resorts de luxo. Trata-se, sim, de um local perdido no meio do mar, isolado do resto do mundo e do tempo e que todos aqueles como nós, os que (sobre)vivem do lado de cá, julgam ser completamente deserto.

Uma vasta planície de gelo puro, quase um espelho, que se estende até ao mar revolto e agreste, determinado a afastar os indesejados. Ventos cortantes que assobiam, uma velha cabana degradada mas ainda assim acolhedora e uma floresta cerrada, feita de árvores que se diria poderem animar-se sempre que quiserem, que esconde outros mundos: é a depois dela que algumas das personagens vivem e se protegem.

E é algures dentro dela, num outro tempo, numa outra dimensão, numa ilha à parte da própria ilha, que habitam outras personagens...


O Mundo de Freyja e Fiydin


Este é mais um cenário que é quase uma personagem.

Paradigma de tudo o que de mais bonito existe na vida, é a casa maior de duas das principais personagens de "A Ilha".

Belas flores que crescem livremente, quase sem precisarem de rega, árvores que parecem embalar os pequenos habitantes nos seus ramos.

Erva fresca e alta, permanentemente orvalhada, no meio da qual os habitantes brincam às escondidas. O céu é sempre azul e o Sol brilha mesmo quando no mundo lá fora tudo está coberto por nuvens tão negras como a noite.

Este mundo só pode ser encontrado se os seus habitantes assim o desejarem. Ao longo dos tempos desenvolveram a capacidade de manter o seu mundo fechado a sete chaves, abrindo-o apenas a quem o merece e que com ele pode aprender algo de novo.

Diz-se que se situa algures no meio da floresta, mas poucos o conseguem ver...

Freyja

Freyja é, tal como o seu mundo, uma criatura especial.
Embora pertença a uma espécie não-humana, é mais humana de todas as personagens: hesita entre o amor de um homem que mal conhece e aquele que sempre pensara ser o amor da sua vida.

Hesita entre casar com o amor de sempre contra a vontade do povo que lidera.
Mas não hesita em levar para o seu mundo protegido um homem que acaba de conhecer.

Pequena, à semelhança de todos os seus conterrâneos, chama a atenção pela sua pela extraordinariamente branca e pelos cabelos negros como as penas de um corvo, mas, sobretudo, pelas suas asas que quase nunca deixam de se agitar.

Herdou o reino do seu pai e, tal como os seus antecessores, não tinha qualquer preparação para as responsabilidades de reinar, embora essa seja, de facto, a sua maior vocação.