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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

"Dívida de Honra"

"- E as pessoas? O que é que acham?
- Estão na expectativa, claro. Qualquer um de nós está na expectativa. Nós chegámos a achar que o nosso projecto não ia avançar. Mas parece que o Governo Provisório se preocupa com a ciência e lá arranjaram maneira de nos deixar vir. E conseguiram arranjar dinheiro, um milagre, certamente, mas arranjaram. – Renato não era capaz de pensar em mais nada, ficando em silêncio por alguns momentos.
Sentia o seu abdómen contrair-se e relaxar-se repetidamente e com uma rapidez crescente, de tal forma que achava que Catarina conseguia ver os movimentos.
De facto, ela não conseguia ver, mas adivinhava-os."
"Era mais um encanto daquele homem. Tinha aquele ar robusto, confiante e agarrara-lhe a mão como quem tinha a certeza de que era isso mesmo que queria fazer, mas as pernas tremiam-lhe perante a possibilidade de ela poder ter razões para não querer ser associada a ele daquele modo.
- Eu quero, não é preciso ter medo. Foi uma reacção impulsiva, impensada. – Renato voltou a agarrar-lhe a mão com a mesma confiança e dirigiu-se a casa de Maria, perante os olhares dos seus vizinhos, alguns directos e outros escondidos pelas portadas de madeira entreabertas.
Bateu à porta e Maria apareceu, não conseguindo disfarçar a surpresa ao ver Catarina. A surpresa aumentou ao ver que estavam de mão dada e Catarina apercebeu-se, levando-a a puxar a sua mão. Mas Renato não a deixou soltar-se."
in "Dívida de Honra" disponível em www.bubok.pt

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Uma manhã, aconteceu


"Alguém que ele não conhecia de lado nenhum conseguira que visse a verdade que ele não queria aceitar por nada. Apesar de considerar aquela Ilha como sua, apesar de acreditar que mais ninguém a habitava, aquela pequena mulher fizera-o despertar para a realidade.
-Eu comprei esta Ilha para viver em paz, sozinho.
- Porque é que alguém quer viver sozinho? É tão triste...
E depois, compraste esta Ilha a quem?"

"Uma manhã, aconteceu. Abriu os olhos e lá estava ela, sorridente, agachada junto a ele. Estava vestida de azul, um azul tão claro que mais parecia água transparente, o mesmo azul que cobria as pequenas asas. Morten interrogou-se se todos os vestidos dela teriam asas. Queria perguntar-lhe mas receava que muitas questões fossem demasiadas e acabassem por a afastar, tal como temia que, se não fizesse perguntas, se permanecesse calado, ela se fosse embora."

"Depois de dominar a surpresa, o rapaz sorriu e estendeu a mão ao príncipe, apertando-a com força. Esperava encontrar tudo naquela Ilha menos uma criatura estranha da sua idade que parecia conhecer a sua língua. Mas bastava-lhe olhar para ele para perceberem que poderiam ser camaradas. Aqueles olhos azuis inspiravam-lhe uma confiança imensa, como nunca tivera em ninguém.
- Obrigado. Venho à procura do meu pai. "