"Dívida de Honra"
"A sua mudança para aquele lugarejo não fora voluntária, mas, pelo menos, tivera a liberdade de escolher o local, privilégio raro naqueles tempos. Na verdade, Renato acreditava que tivera escolha para se enganar a si próprio, já que se vira obrigado a fugir da sua vida na cidade.
A escolha não fora, de facto, voluntária. Precisava de um sítio sossegado, discreto, onde não tivesse qualquer oportunidade de chamar as atenções sobe si próprio. E esse sítio era aquele lugarejo, um local escolhido no mapa precisamente porque não estava lá.
As cartas militares indicavam a existência de algumas casas, mas nem sequer tinha nome. Ou seja, para Renato, era o sítio ideal."
"Era engraçado como conseguira apagar da sua memória as suas relações pessoais – pelo menos acreditava que sim – mas não conseguira esquecer a televisão, o poder ir a uma biblioteca, o sair para a rua e dar dois dedos de conversa com o vizinho da frente.
Quando chegara ao lugarejo, nos primeiros dias, ninguém lhe falava. Quando passava por alguns dos seus novos vizinhos, cumprimentava-os sempre, mesmo sabendo que nenhum deles lhe responderia. Aliás, isso até o espicaçava. Cada vez que dizia bom dia e recebia de volta um silêncio sepulcral, tinha ainda mais vontade de puxar conversa."
in "Dívida de Honra" disponível através de http://www.bubok.pt/
Mostrar mensagens com a etiqueta silêncio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta silêncio. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 15 de março de 2011
Subscrever:
Mensagens (Atom)

