"Dívida de Honra"
"A sua mudança para aquele lugarejo não fora voluntária, mas, pelo menos, tivera a liberdade de escolher o local, privilégio raro naqueles tempos. Na verdade, Renato acreditava que tivera escolha para se enganar a si próprio, já que se vira obrigado a fugir da sua vida na cidade.
A escolha não fora, de facto, voluntária. Precisava de um sítio sossegado, discreto, onde não tivesse qualquer oportunidade de chamar as atenções sobe si próprio. E esse sítio era aquele lugarejo, um local escolhido no mapa precisamente porque não estava lá.
As cartas militares indicavam a existência de algumas casas, mas nem sequer tinha nome. Ou seja, para Renato, era o sítio ideal."
"Era engraçado como conseguira apagar da sua memória as suas relações pessoais – pelo menos acreditava que sim – mas não conseguira esquecer a televisão, o poder ir a uma biblioteca, o sair para a rua e dar dois dedos de conversa com o vizinho da frente.
Quando chegara ao lugarejo, nos primeiros dias, ninguém lhe falava. Quando passava por alguns dos seus novos vizinhos, cumprimentava-os sempre, mesmo sabendo que nenhum deles lhe responderia. Aliás, isso até o espicaçava. Cada vez que dizia bom dia e recebia de volta um silêncio sepulcral, tinha ainda mais vontade de puxar conversa."
in "Dívida de Honra" disponível através de http://www.bubok.pt/
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terça-feira, 15 de março de 2011
terça-feira, 9 de novembro de 2010
"Dívida de Honra"
"- Já. E não vou.
Nós tivemos uma bela aventura, meu amigo, mas só fazia sentido continuá-la contigo, por isso, vou seguir a minha vida noutro lado. – Luís estendeu a mão a Aníbal e este apertou-a, puxando-o para si e abraçando-o.
Os dois soltaram-se depois de longos instantes e Aníbal entrou no carro, partindo. Sentia-se mais feliz do que alguma vez se sentira.
Luís saiu de seguida, dirigindo-se para um café no centro da cidade. Pela montra, viu Catarina sentada a uma mesa, lendo o jornal.
- Bom dia.
- Olá. – respondeu ela com um sorriso. Aprendera a gostar de Luís naquelas últimas semanas. Era um bom amigo.
- Já partiram?
- Já.
- E agora? O que é que vais fazer?
- Não sei. E pela primeira vez na vida, não estou preocupado com isso. – ela sorriu."
"- Posso fazer alguma coisa por si?
- Consegue apagá-lo das minhas memórias?
- Não, claro que não. – respondeu Júlia, percebendo que nada poderia fazer que ajudasse Catarina a sentir-se melhor.
Na realidade, Júlia sentia-se agora dividida. Queria ficar com Catarina, fazer-lhe companhia, talvez distrai-la um pouco daquele momento doloroso, mas ansiava por voltar para Aníbal.
- Catarina, eu sei que este não é o melhor momento, mas tenho que voltar para a cidade. É melhor preparar-se.
- Será que seria pedir muito se eu quisesse ficar aqui mais uns dias? – Júlia ficou um pouco surpreendida com o pedido de Catarina, mas era compreensível. Ela tinha ainda uns dias antes de voltar ao trabalho e ficar naquele sítio tranquilo talvez a pudesse ajudar."
in "Dívida de Honra"
Nós tivemos uma bela aventura, meu amigo, mas só fazia sentido continuá-la contigo, por isso, vou seguir a minha vida noutro lado. – Luís estendeu a mão a Aníbal e este apertou-a, puxando-o para si e abraçando-o.
Os dois soltaram-se depois de longos instantes e Aníbal entrou no carro, partindo. Sentia-se mais feliz do que alguma vez se sentira.
Luís saiu de seguida, dirigindo-se para um café no centro da cidade. Pela montra, viu Catarina sentada a uma mesa, lendo o jornal.
- Bom dia.
- Olá. – respondeu ela com um sorriso. Aprendera a gostar de Luís naquelas últimas semanas. Era um bom amigo.
- Já partiram?
- Já.
- E agora? O que é que vais fazer?
- Não sei. E pela primeira vez na vida, não estou preocupado com isso. – ela sorriu."
"- Posso fazer alguma coisa por si?
- Consegue apagá-lo das minhas memórias?
- Não, claro que não. – respondeu Júlia, percebendo que nada poderia fazer que ajudasse Catarina a sentir-se melhor.
Na realidade, Júlia sentia-se agora dividida. Queria ficar com Catarina, fazer-lhe companhia, talvez distrai-la um pouco daquele momento doloroso, mas ansiava por voltar para Aníbal.
- Catarina, eu sei que este não é o melhor momento, mas tenho que voltar para a cidade. É melhor preparar-se.
- Será que seria pedir muito se eu quisesse ficar aqui mais uns dias? – Júlia ficou um pouco surpreendida com o pedido de Catarina, mas era compreensível. Ela tinha ainda uns dias antes de voltar ao trabalho e ficar naquele sítio tranquilo talvez a pudesse ajudar."
in "Dívida de Honra"
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