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terça-feira, 15 de março de 2011

"Dívida de Honra"

"Dívida de Honra"

"A sua mudança para aquele lugarejo não fora voluntária, mas, pelo menos, tivera a liberdade de escolher o local, privilégio raro naqueles tempos. Na verdade, Renato acreditava que tivera escolha para se enganar a si próprio, já que se vira obrigado a fugir da sua vida na cidade.



A escolha não fora, de facto, voluntária. Precisava de um sítio sossegado, discreto, onde não tivesse qualquer oportunidade de chamar as atenções sobe si próprio. E esse sítio era aquele lugarejo, um local escolhido no mapa precisamente porque não estava lá.


As cartas militares indicavam a existência de algumas casas, mas nem sequer tinha nome. Ou seja, para Renato, era o sítio ideal."



"Era engraçado como conseguira apagar da sua memória as suas relações pessoais – pelo menos acreditava que sim – mas não conseguira esquecer a televisão, o poder ir a uma biblioteca, o sair para a rua e dar dois dedos de conversa com o vizinho da frente.



Quando chegara ao lugarejo, nos primeiros dias, ninguém lhe falava. Quando passava por alguns dos seus novos vizinhos, cumprimentava-os sempre, mesmo sabendo que nenhum deles lhe responderia. Aliás, isso até o espicaçava. Cada vez que dizia bom dia e recebia de volta um silêncio sepulcral, tinha ainda mais vontade de puxar conversa."

in "Dívida de Honra" disponível através de http://www.bubok.pt/

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

"Dívida de Honra"

"Dívida de Honra" (disponível em www.bubok.pt)

"O lugarejo tinha pouco mais de 15 casas, baixas, pequenas, com beirais de madeira rendilhados e paredes que já haviam sido coloridas.
As casas alinhavam-se ao longo de um estreito caminho direito que não levava a lado nenhum e à sua volta árvores, árvores e mais árvores.
E árvores. Altas, esguias, de folha perene, agulhada, que vergavam ao peso da neve como se estivessem a suportar chumbo. Mas mantinham-se sempre de pé.
Ao longe, um lago, um enorme espelho de água que se cobria de gelo durante os nove meses de Inverno. No curto Verão, um Verão que mais parecia uma Primavera sem muita vontade de o ser, os homens do lugarejo reuniam-se na sua margem para pescarem. A pescaria quase nunca era bem sucedida, mas garantia sempre alguns dos melhores momentos da vida daqueles homens.
Renato costumava sentar-se, à distância, acompanhado de um livro e, quando precisava de descansar os olhos, entretinha-se a observá-los."